domingo, 29 de dezembro de 2013

Entronizemos a Sagrada Família em nossas casas

Jesus, Maria e José precisam ser entronizados em nossa casa para que nós e nossa família sirvamos ao Senhor. Que Jesus, Maria e José sejam nossos donos, os senhores da nossa casa!

Nossa Senhora veio ao mundo com a missão exclusiva de ser mãe do Filho de Deus. O Pai quis que Seu Filho se fizesse homem e tivesse uma mãe biológica; Maria foi a escolhida. Desde o início, ela foi escolhida em vista do Filho. Sendo Sua mãe, ela também se pôs a Seu serviço. Ela também poderia dizer: "É preciso que Ele cresça e que eu diminua".

No alto da cruz, Jesus nos deu Maria como mãe. Mas, desde toda a eternidade, quando o Pai concebeu Seu plano, Ele já trazia no coração que a Virgem Maria seria mãe do Seu Filho e mãe de todos nós, para que Jesus fosse o primogênito de uma multidão de irmãos.

São José também foi escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus por obra do Espírito Santo. José investiu toda a sua vida em Maria e em Jesus, vivendo somente para os dois. Esse foi o seu ato de fé. Uma fé concreta, que atingiu a vida. Nós podemos imaginar todo o carinho que José tinha por Maria e que ela tinha por José. Ele abriu mão de ser pai biológico para investir toda a sua vida, unicamente, nela e em Jesus.

Certamente, ele esperava viver uma vida normal com Maria, ser esposo dela e ter filhos como todo judeu. Para os judeus, ter filhos era muito importante, mas José abriu mão de tudo isso. Ele aceitou não ser pai de ninguém para ser o esposo de Maria e o pai adotivo de Jesus. Que beleza ele viveu!

Olhando para São José, vemos como é linda a nossa vocação de homens. O Senhor confiou no homem e lhe entregou uma mulher, do mesmo modo que entregou Maria a José. Deus, que é Pai, deu ao homem a missão de ser pai, confiou-lhe filhos para criar. São filhos de Deus, mas foram entregues ao homem para serem cuidados.

Que os maridos amem suas esposas, entreguem-se por elas e, como o modelo de Maria e José, honrem o dom e a bênção que Deus lhes deu pelo sacramento do matrimônio.

Para que você e sua casa sirvam ao Senhor, é preciso que Jesus seja o Rei, o Senhor da sua casa.

Eu convido você para fazer a entronização da Sagrada Família em seu lar. Tome uma imagem ou um quadro, a fim de que Jesus, Maria e José permaneçam onde você mora. Que eles sejam os donos da sua casa e você possa dizer: "Jesus, Maria e José, minha família vossa é".

Monsenhor Jonas Abib

Desvista-se de toda tristeza, pois Cristo o fortalecerá

A Palavra meditada, hoje, está em Lucas 2,8-11.

8. Naquela região havia pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho.
9. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores; a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo.
10. Mas o anjo disse aos pastores: "Não tenham medo! Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo:
11. hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor



Hoje, o Senhor nos envia um anjo para soprar ao nosso ouvido a certeza da glória do Senhor. Não é hora de temer, mas de deixar de lado toda covardia, porque houve uma grande alegria ao nascer, em nosso coração, o Cristo Salvador.

Quando Jesus nasce no coração de alguém, essa pessoa é visitada pelo Espírito Santo e a glória de Deus a envolve como a luz. No momento em que essa pessoa reconhece a Luz Divina no nascimento daquele Menino, a alegria começa a voltar ao seu coração. Nesta manhã, está nascendo para nós o Cristo, o Senhor. Aqueles que clamavam por salvação, por socorro, Jesus os visita e atende suas orações.

Um dos sinais de que Deus está agindo na nossa vida é a paz. Hoje, o Céu e a Terra espalham doçura, e até a natureza respira essa doçura, porque nasceu para nós o Cristo Salvador. Nasceu o dia em que o Senhor vem nos levantar, trazer para nós um vento novo sobre a nossa casa e sobre o nosso coração. Neste dia, tudo pode Deus em nosso favor.

Aqueles que têm esperado por um momento no qual o Senhor se manifeste, saibam que hoje é o dia, mas é preciso acreditar e agir com verdade. Assim, verão os frutos se manifestarem na vida de cada um de vocês.

É tempo de sorrir, de alegrar-se, pois a alegria de Deus vem quando o homem está de boa vontade! Se vivermos na integridade e na verdade, a graça de Deus chegará ao nosso coração. Mesmo em meio às lutas do dia a dia, um coração sincero chega até nós.

Temos de colocar, na nossa cabeça, que somos bons, porque saímos d'Aquele que é bom. Ainda que a imagem da bondade esteja escondida em meio a tantas escolhas erradas, somos pessoas de bem e podemos viver as alegrias do Senhor.

Não pode haver tristeza no dia em que nos foi dada a vida. Se há alegria quando um filho nasce numa família que passa por tantas dificuldades, imagine como é quando essa criança é o Filho de Deus nascendo no coração de cada um de nós.

Mesmo que haja altos ou baixos, o Senhor dos exércitos, de todo poder e força, estará conosco, porque nós cremos n'Ele.

Ninguém fica de fora ou está excluído de participar desse momento, nem mesmo as pessoas que não acreditam no Senhor, mas buscam a verdade.

Esta vida já tem tantos desafios para superarmos, que não precisamos acrescentar dificuldades. Quando o amor começa dentro de uma casa, de um lar, ele transborda para os demais locais pelos quais passamos.

Deus precisa que sejamos capazes de unir as pessoas. Quando dizemos que uma pessoa é justa, falamos de alguém que descobriu o amor e quer que ele se espalhe pela face da Terra. Todo pecador deve alegrar-se, porque, nesta manhã, Deus está lhe oferecendo o perdão de todos os seus pecados.

É uma alegria até para os que não acreditam, porque somos chamados a acreditar na vida. Neste dia, precisamos ficar em paz com Deus, precisamos nos reconciliar com Ele.

Por que Deus quis se manifestar em forma de criança? Porque todos têm medo de um rei, mas não precisam temer uma criança. Jesus, o Autor da vida, derrotou o autor da morte, e os anjos cantaram e anunciaram "paz na terra aos homens de boa vontade".

Quando nos sentirmos desgostosos, deveremos nos perguntar se nos sentimos assim por um pecado que cometemos. Lembre-se de que Deus deu a vida de Seu Filho pelos nossos pecados. Pelo nascimento de Jesus somos lembrados de que fomos arrancados de todo mal.

Márcio Mendes
Membro da Comunidade Canção Nova

Ser verdadeiro diante do Senhor

A palavra "sincero" vem de "sem cera". Os antigos gregos e romanos faziam um teatro bem semelhante ao teatro moderno: uma mesma pessoa fazia vários personagens, e a troca de personagens era feita apenas trocando as máscaras, as quais eram feitas de cera. Por isso, "sem cera" quer dizer sem máscara, sem representação.

Não podemos representar diante de Deus, precisamos ser sinceros com Ele! Temos de ser verdadeiros até mesmo diante de nossas fraquezas. São Paulo nos diz isso de uma maneira linda: "Portanto, eu me comprazo nas fraquezas, nos insultos, nos constrangimentos, nas perseguições e nas angústias por Cristo, pois quando sou fraco, então é que sou forte" (II Cor 12,10).

Deus é forte em você, por isso, Ele o faz forte. Não tenha medo de ser sincero diante do Senhor, de confessar-Lhe seus pecados mais secretos. Não tenha medo do pecado, mas sim de não ser sincero com Deus.

Seu irmão,
Padre Jonas Abib

sábado, 28 de dezembro de 2013

Reflexão do Evangelho de hoje “fugindo para o Egito”

Pela narrativa do Evangelho nós percebemos que até o Filho de Deus foi 
vítima da articulação de satanás que agiu por meio de Herodes, mas que o 
Plano de Deus para a humanidade se cumpriu apesar dos percalços e 
entraves que o Seu inimigo tentou colocar para desarticula-lo. A 
onisciência e a onipotência de Deus superam as armadilhas do mal, pois 
Ele envia os Seus mensageiros para advertir àqueles que fazem a Sua 
vontade. Por isso, o anjo do Senhor apareceu a José e mandou que ele 
pegasse o menino e sua mãe para fugir da fúria do rei. José obedeceu e 
partiu para o Egito onde permaneceu até a morte de Herodes. Mesmo assim 
as crianças de Belém sofreram as consequências da cólera do rei que 
mandou matar todas as que tivessem de dois anos para baixo. Assim também 
acontece nos nossos dias. O demônio continua tramando e montando 
armadilhas para que os filhos de Deus caiam e se submetam às suas 
investidas, tentando-os e flagelando-os com o pecado. Somente aqueles 
(as) que estão em sintonia com Deus, que obedecem à Sua Palavra e creem 
verdadeiramente em Jesus conseguem se livrar das garras do inimigo. Por 
isso, hoje, vemos tantos jovens com a vida destroçada, tantas famílias 
em desarmonia, guerra, fome, miséria. O pecado devasta o mundo e se não 
tivermos firmados nos ensinamentos evangélicos iremos também sucumbir 
com ele. Hoje também os inocentes pagam o preço da insanidade dos “reis” 
que procuram vítimas para suas frustrações. No entanto, nunca poderemos 
esmorecer, pois o anjo do Senhor está perto e na hora precisa, também 
ele nos dirá: “Levanta-te e vai para o Egito”. O Egito é lugar de 
penúria, de solidão, mas é também lugar de purificação, onde nos 
encontramos conosco mesmos e com Deus, e depois, retornamos para 
encontrar os irmãos. – Você tem sabido escutar a voz do Senhor que o (a) 
chama ao deserto? – Você tem sofrido as consequências do pecado? – Você 
acredita que o inimigo de Deus está atento para atrai-lo? – Você tem 
buscado refúgio na Palavra de Deus e na oração?

Evangelho de hoje- Mt 2,13-18

Evangelho - Mt 2,13-18
Herodes mandou matar todos os meninos de Belém.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,13-18

13Depois que os magos partiram,
o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José
e lhe disse:
"Levanta-te, pega o menino e sua mãe
e foge para o Egito!
Fica lá até que eu te avise!
Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo".
14José levantou-se de noite,
pegou o menino e sua mãe,
e partiu para o Egito.
15Ali ficou até à morte de Herodes,
para se cumprir
o que o Senhor havia dito pelo profeta:
"Do Egito chamei o meu Filho".
16Quando Herodes percebeu
que os magos o haviam enganado,
ficou muito furioso.
Mandou matar todos os meninos de Belém
e de todo o território vizinho,
de dois anos para baixo,
exatamente conforme o tempo indicado pelos magos.
17Então se cumpriu
o que foi dito pelo profeta Jeremias:
18"Ouviu-se um grito em Ramá,
choro e grande lamento:
é Raquel que chora seus filhos,
e não quer ser consolada,
porque eles não existem mais".
Palavra da Salvação.

Feliz Ano Novo!



reve-300x199“Ser Feliz é cultivar a alegria que vem da fé e confiança em Deus; superando todo pessimismo, mau humor, tristeza e reclamação.”
Gostamos de desejar às pessoas um “Feliz Ano Novo”; há até uma música que diz “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Mas será isso possível? Será tão fácil ser feliz? Será possível trezentos e sessenta e cinco dias sem lutas, lágrimas, decepções…? É claro que não.
Na verdade, quando desejamos aos parentes, amigos e conhecidos, um “Feliz Ano Novo”, desejamos que tenham um Ano de muita fé, de muitas bênçãos de Deus, livres dos males do corpo e da alma, mesmo que as adversidades da vida continuem. Não podemos nos enganar, a vida na terra é uma vida em paróquia (exílio), ainda longe da pátria de felicidade eterna onde não existe choro e lágrimas.
Ter um Ano Novo Feliz é estar preparado para vivê-lo com paz, serenidade, com uma consciência tranquila diante do dever cumprido, do sofrimento superado com fé, da amizade dada gratuitamente e do bem praticado sem olhar a quem.
Ter um “Feliz Ano Novo” é confiar no Senhor que “tem os olhos sobre os que o amam e procuram a todo instante”, e não esquecer as palavras sagradas: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” (Sl 22,1).
“O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei”? (Sl 26,1).
“O anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem,  e os salva”. “São numerosas as tribulações dos justos, mas de todas as livra o Senhor“. “Entrega o teu destino ao Senhor ele cuidará de vós” (Sl 33).
Ainda mais, ter um “Feliz Ano Novo” é lembrar o conselho da grande doutora da Igreja da Espanha, Santa Teresa de Ávila: “Nada te perturbe; nada te apavore; tudo passa; apenas Deus não muda; quem tem Deus no coração nada lhe falta”.
E mais que tudo, jamais se esquecer do convite do Senhor que nos diz: “Vinde a mim vós todos que estais atribulados e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).
Ter um Ano Feliz é não se esquecer de que a felicidade verdadeira, que não se esvai, é aquela que colhemos na ajuda ao outro, pois “fazer o bem faz bem”. Ter um Ano Feliz é não pensar que a felicidade vem do vício, da malandragem, de “passar os outros para trás”, de viver no pecado. Ser Feliz é buscar a felicidade que se esconde no bojo da virtude: amor, bondade, mansidão, compaixão, desprendimento, pureza, perdão, humildade, temperança, diligência, etc. “Eu vim não para ser servido, mas para servir”! (Mc 10,42).
Para ser Feliz em 2014 será preciso viver com os pés na terra e coração no céu, lembrando-se de  que somos filhos amados de Deus; herdeiros do céu, participantes, como dizia Paulo VI, do banquete da vida.
Ser Feliz no Ano Novo é cultivar a alegria que vem da fé e confiança em Deus; superando todo pessimismo, mau humor, tristeza e reclamação.
Para ser Feliz em 2014 será preciso decidir viver uma vida de oração, sem deixar de rezar jamais, assim será possível vencer cada tribulação dos doze meses. A Eucaristia deverá ser o Pão que sustenta nossa fraqueza humana e nos cura dos males.
Pierre Auguste, um grande pintor francês, sofria de artrite, o que lhe causava dores profundas nas mãos. Um artista amigo, vendo-o pintar assim mesmo, então, lhe perguntou porque ele continuava a pintura assim mesmo. O grande pintor respondeu: “A dor passa, mas a beleza permanece.”
Precisamos estar dispostos a pagar o preço pelo bem e pela beleza que permanece. Sem sacrifício não pode haver um Ano Feliz.

 O blog OCRISTAOMBC lhe deseja um Feliz Ano Novo!

As provas da Ressurreição de Jesus

500-jesus-318A Igreja não tem dúvida em afirmar que a Ressurreição de Jesus foi um evento histórico e transcendente. No §639 o Catecismo afirma: “O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já S. Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco.
O primeiro acontecimento da manhã do Domingo de Páscoa foi a descoberta do sepulcro vazio (cf. Mc 16, 1-8). Ele foi a base de toda a ação e pregação dos Apóstolos e foi muito bem registrada por eles. São João afirma: “O que vimos, ouvimos e as nossas mãos apalparam isto atestamos” (1Jo1,1-2). Jesus ressuscitado apareceu a Madalena (Jo 20, 19-23); aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-25), aos Apóstolos no Cenáculo, com Tomé ausente (Jo 20,19-23); e depois, com Tomé presente (Jo 20,24-29); no Lago de Genezaré (Jo 21,1-24); no Monte na Galiléia (Mt 28,16-20); segundo S. Paulo “apareceu a mais de 500 pessoas” (1 Cor 15,6) e a Tiago (1 Cor 15,7).
S. Paulo atesta que Ele”… ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e foi visto por Cefas, e depois pelos Onze; depois foi visto por mais de quinhentos irmãos duma só vez, dos quais a maioria vive ainda hoje e alguns já adormeceram; depois foi visto por Tiago e, em seguida, por todos os Apóstolos; e, por último, depois de todos foi também visto por mim como por um aborto” (1 Cor 15, 3-8).
“Deus ressuscitou esse Jesus, e disto  nós todos somos testemunhas” (At 2, 32), disse São Pedro no dia de Pentecostes.  “Saiba com certeza toda a Casa de Israel: Deus o constituiu Senhor (Kýrios) e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes” (At 2, 36). “Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos”.(Rm 14, 9). No Apocalipse, João arremata: “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos, e tenho as chaves da Morte e da região dos mortos” (Ap 1, 17s).
Toda a pregação dos Discípulos estava centrada na Ressurreição de Jesus. Diante do Sinédrio Pedro dá testemunho da Ressurreição de Jesus (At 4,8-12). Em At 5,30-32 repete.  Na casa do centurião romano Cornélio (At 10,34-43), Pedro faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central. S. Paulo em Antioquia da Pisídia faz o mesmo (At 13,17-41).
A presença de Jesus ressuscitado era a manifestação salvífica definitiva de Deus, inaugurando uma nova era na História humana; era a força do Apóstolos. Jesus ressuscitado caminhou com eles ainda quarenta dias e criou a fé dos discípulos e não estes que criaram a fé no Ressuscitado.
A primeira experiência dos Apóstolos com Jesus ressuscitado, foi marcante e inesquecível: “Jesus se apresentou no meio dos Apóstolos e disse: “A paz esteja convosco!” Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: “Por que estais perturbados e por que  surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! “Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles”. (Lc 24, 34s)
Os Apóstolos não acreditavam a principio na Ressurreição do Mestre. Amedrontados, julgavam ver um fantasma, Jesus pede que o apalpem e verifiquem que tem carne e ossos. Nada disto foi uma alucinação, nem miragem, nem delírio, nem mentira, e nem fraude dos Apóstolos, pessoas muito realistas que duvidaram a principio da Ressurreição do Mestre. A custo se convenceram. O próprio Cristo teve que falar a Tomé: “Apalpai e vede: os fantasmas não têm carne e osso como me vedes possuir” (Lc 24,39). Os discípulos de Emaús estavam decepcionados porque “nós esperávamos que fosse Ele quem restaurasse Israel” (Lc 24, 21).
Estes depoimentos “de primeira hora”, concebidos e transmitidos pelos discípulos imediatos do Senhor, são argumentos suficientes para dissolver qualquer teoria que quisesse negar a ressurreição corporal de Cristo, ou falar dela como fraude. Esta fé não surgiu “mais tarde”, como querem alguns, na história das primeiras comunidades cristãs, mas é o resultado da missão de Cristo acompanhada dia a dia pelos Apóstolos.
Com  os Apóstolos aconteceu o processo exatamente inverso do que se dá com os visionários. Estes, no começo, ficam muito convencidos e são entusiastas, e pouco a pouco começam a duvidar da visão. Já com os discípulos de Jesus, ao contrário, no princípio duvidam. Não creem em seguida na Ressurreição. Tomé duvida de tudo e de todos e quer tocar o corpo de Cristo ressuscitado. Assim eram aqueles homens: simples, concretos, realistas. A maioria era pescador, não eram nem visionários nem místicos. Um grupo de pessoas abatidas, aterrorizadas após a morte de Jesus. Nunca chegariam por eles mesmos a um auto-convencimento da Ressurreição de Jesus. Na verdade, renderam-se a uma experiência concreta e inequívoca.
Impressiona também o fato de que os Evangelhos narram que as primeiras pessoas que viram Cristo ressuscitado são as mulheres que correram ao sepulcro. Isto é uma mostra clara da historicidade da Ressurreição de Jesus; pois as mulheres, na sociedade judaica da época, eram consideradas testemunhas sem credibilidade já que não podiam apresentar-se ante um tribunal. Ora, se os Apóstolos, como afirmam alguns, queriam inventar uma nova religião, por que, então, teriam escolhido testemunhas tão pouco confiáveis pelos judeus? Se os evangelistas estivessem preocupados em “provar” ao mundo a Ressurreição de Jesus, jamais teriam colocado mulheres como testemunhas.
Os chefes dos judeus tomaram consciência do significado da Ressurreição de Jesus, e, por isso,  resolveram apaga-la: “Deram aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro, recomendando: “Dizei que os seus discípulos vieram de noite, enquanto dormíeis, e roubaram o cadáver de Jesus. Se isto chegar aos ouvidos do Governador, nós o convenceremos, e vos deixaremos sem complicação”. Eles tomaram o dinheiro e agiram de acordo com as instruções recebidas. E espalhou-se esta história entre os judeus até o dia de hoje” (Mt 28, 12-15). A ressurreição corporal de Jesus era professada tranquilamente pela Igreja nascente, sem que os judeus ou outros adversários a pudessem apontar como fraude ou  alucinação.
Os Apóstolos só podiam acreditar na Ressurreição de Jesus pela evidência dos fatos, pois não estavam predispostos a admiti-la; ao contrário, haviam perdido todo ânimo quando viram o Mestre preso e condenado; também para eles a ressurreição foi uma surpresa.
Eles não tinham disposições psicológicas para “inventar” a notícia da ressurreição de Jesus ou para forjar tal evento. Eles ainda estavam impregnados das concepções de um messianismo nacionalista e político, e caíram quando viram o Mestre preso e aparentemente fracassado; fugiram para não ser presos eles mesmos (Cf. Mt 26, 31s); Pedro renegou o Senhor (cf. Mt 26, 33-35). O conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus.
E a pregação dos Apóstolos era severamente controlada pelos judeus, de tal modo que qualquer mentira deles seria imediatamente denunciada pelos membros do Sinédrio (tribunal dos judeus). Se a ressurreição de Jesus, pregada  pelos Apóstolos não fosse real, se fosse fraude, os judeus a teriam desmentido, mas eles nunca puderam fazer isto.
Jesus morreu de verdade, inclusive com o lado perfurado pela lança do soldado. É ridícula a teoria de que Jesus estivesse apenas adormecido na Cruz.
Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor.
Será que em nome de uma fantasia, de um mito, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? É claro que não. Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? Será que em nome de um mito, durante já dois mil anos, multidões de homens e mulheres abdicaram de construir família para servir ao Senhor ressuscitado? Será que uma alucinação poderia transformar o mundo? Será que uma fantasia poderia fazer esta Igreja sobreviver por 2000 anos, vencendo todas as perseguições (Império Romano, heresias, nazismo, comunismo, racionalismo, positivismo, iluminismo, ateísmo, etc.)? Será que uma alucinação poderia ser a base da religião que hoje tem mais adeptos no mundo (2 bilhões de cristãos)? Será que uma alucinação poderia ter salvado e construído a civilização ocidental depois da queda de Roma?  Isto mostra que o testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava, como hoje.
Na verdade, a grandeza do Cristianismo requer uma base mais sólida do que a fraude ou a debilidade mental. É muito mais lógico crer na Ressurreição de Jesus do que explicar a potência do Cristianismo por uma fantasia de gente desonesta ou alucinada. Como pode uma fantasia atravessar dois mil anos de história, com 266 Papas, 21 Concílios Ecumênicos, e hoje com cerca de 4 mil bispos e 416 mil sacerdotes? E não se trata de gente ignorante ou alienada; muito ao contrário, são universitários, mestres, doutores.
Prof Felipe Aquino