terça-feira, 25 de agosto de 2015

São José Calasanz

san_jo1Nasceu em Peralta de la Sal, diocese de Urgel, em Aragão, no ano de 1557. Ordenado sacerdote aos 28 anos, manifestou logo uma grande inclinação para a vida eremítica. Os seus superiores, para curá-lo, lançaram-no no meio do povo, nomeando-o vigário geral da diocese. E como a cura não parecesse eficaz, mandaram-no a Roma na qualidade de teólogo em companhia do cardeal Marco Antônio Colonna. Porém, mais que aos cuidados do cardeal, que saiba cuidar por si mesmo da sua própria cultura, dedicou-se com espírito de apóstolo à instrução dos meninos do Trastevere, na paróquia de Santa Dorotéia, onde era vigário cooperador. Naquele tempo não existiam problemas escolares sobre a mesa do prefeito de Roma, pela simples razão de que as escolas eram um negócio privado. Quem tinha dinheiro suficiente pagava o professor para dar aulas em casa, ou mandava os filhos aos célebres Studi (Universidades), ou às escolas comunais, instituídas pelos municípios livres, em muitas cidades do norte. Estas últimas faltavam em Roma e nisso pensou José Calasanz. Feita com as poucas economias de que dispunha a primeira escola gratuita aberta aos filhos dos pobres, viu-se encorajado a fazer mais pela afluência de tantos voluntários, que se ofereceram para lecionar gratuitamente aos meninos. Fundou assim a Congregação dos Clérigos Regulares das Pias Escolas, vinculados não só pelos votos de pobreza, castidade e obediência, mas também por um quarto voto, que os compromete com a instrução dos jovens. Esta esperada e benéfica instituição teve imediatamente a notoriedade que bem merecia: a Congregação se espalhou em todos os países europeus, trazendo no entanto mais dores que alegrias ao santo fundador. As provas, às quais Deus submete os seus santos, para separar a boa semente da do joio, não demoraram a afligir José: acusado de incapacidade pelos seus próprios filhos, após a imposição de um visitador desonesto o santo foi destituído do seu cargo e a Congregação desceu ao nível de uma simples confraria, quer dizer, praticamente ficou suprimida. Com admirável paciência e serenidade, José Calasanz arregaçou as mangas e com a obstinação dos pioneiros reergueu o edifício que havia desabado. A Congregação ressurgiu das cinzas, mas com os mesmos programas sociais: de cultivar as jovens inteligências dos meninos de periferia. José morreu na bonita idade de noventa anos, a 25 de agosto de 1648 e foi canonizado em 1757.
São José Calasanz, Rogai por nós!
Outros Santos do mesmo dia: Santo Luis de França, Santo Genésio o Comediante, Santa Patrícia, Santa Mena, Santa Eba, Santo Gregório de Utrecht, Santa Ermínia, Santo Eusébio de Roma, Santo Genésio, Santo Pelegrino, São Aredio, Beato Miguel Carvalho, Beato Luis Urbano Lanaspa, Beata Maria do Trânsito de Jesus Sacramentado, Beato Paulo João Charles.

Pode-se comungar de joelhos?


Portugal Pope VisitSão vários os pronunciamentos oficiais da Santa Sé, não só autorizando os fiéis a Comungar de joelhos, como até incentivando, como fez o próprio Papa Bento XVI.
“Como se pode depreender, a Congregação para o Culto Divino considera grave falta a recusa da Comunhão Eucarística a quem a queira receber de joelhos” (Dom Estevão Bettencourt; Revista PERGUNTE E RESPONDEREMOS, Nº 493 – Ano : 2003 – Pág. 330)
Vamos ver esses documentos:
1 – REDEMPTIONIS SACRAMENTUM – CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS:
91. Na distribuição da sagrada Comunhão se deve recordar que «os ministros sagrados não podem negar os sacramentos a quem os pedem de modo oportuno, e estejam bem dispostos e que não lhes seja proibido o direito de receber».[177] Por conseguinte, qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé.
92. Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[178] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.[179]
2 – CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS:
“A Santa Sé autoriza os fiéis receberem a Sagrada Comunhão na mão e, se quiserem, de joelhos. Alguns sacerdotes têm obrigado os fiéis a receber a S. Comunhão na mão (e em pé). Daí resultaram queixas levadas à “Congregação para o Culto Divino”, que reiterou o caráter facultativo da nova modalidade de comungar, mediante um documento de 2002. Em 1975 a Santa Sé concedeu ao clero do Brasil a faculdade de ministrar a S. Comunhão aos fiéis, postos em pé com a mão estendida, sendo que o novo rito não seria ser imposto aos fiéis; estes, se quisessem, poderiam continuar a comungar na boca e de joelhos. Transcrevo parte do que diz a norma do Vaticano:
CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS:
Protocolo nº 1322/02/L – Roma, 1º de julho de 2002.
“Esta Congregação está realmente preocupada com o grande número de queixas recebidas de várias partes nos últimos meses. Ela considera que a recusa da Comunhão a um fiel que esteja ajoelhado, é grave violação de um dos direitos básicos dos fiéis cristãos, a saber: o de ser ajudado por seus Pastores por meio dos sacramentos (Código de Direito Canônico cânon 213).
Mesmo naqueles países em que esta Congregação adotou a legislação local que reconhece o permanecer em pé como postura normal para receber a Sagrada Comunhão… ela o fez com a condição de que aos comungantes desejosos de se ajoelhar não seria recusada a Sagrada Eucaristia.
Com efeito, como o Cardeal Joseph Ratzinger enfatizou recentemente, o costume de ajoelhar-se para receber a Sagrada Comunhão tem em seu favor uma tradição multissecular, e é sinal particularmente expressivo de adoração, que corresponde à verdadeira real e substancial presença de Jesus Cristo Nosso Senhor sob as espécies eucarísticas.
Os sacerdotes devem entender que a Congregação considerará qualquer queixa desse tipo com muita seriedade, e, caso sejam procedentes, atuará no plano disciplinar de acordo com muita seriedade, e, caso sejam procedentes, atuará no plano disciplinar de acordo com a gravidade do abuso pastoral.
Agradeço a V. Excia. a atenção dispensada a este assunto e conto com a sua amável colaboração.
Sinceramente seu em Cristo
Jorge A. Cardeal Medina Estévez – Prefeito
Francisco Pio Tamburrino – Secretário
3 – PALAVRA DO PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS NO VATICANO, CARDEAL ANTONIO CAÑIZARES LLOVERA, ASSINALOU QUE É RECOMENDÁVEL QUE OS CATÓLICOS COMUNGUEM NA BOCA E DE JOELHOS.comocomungar
O Cardeal espanhol, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão: A resposta do Cardeal foi breve e singela: “é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos”.
Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve “ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus”.
“Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos”, afirmou.
O Cardeal disse também que comungar desta forma “é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos”.
“De fato –acrescentou– se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz”.

Palavras de um pai ao filho

paiefilhopescandoDEUS MANDA QUE OS FILHOS ouçam os conselhos dos seus pais.
“Ouvi, meus filhos, os conselhos de vosso pai, segui-os de tal modo que sejais salvos.” (Eclo 3, 2).
Há na Bíblia uma bela página que apresenta os conselhos de um velho pai (Tobit), antes de morrer, a seu filho jovem (Tobias). Vamos meditar nestas sábias palavras. É um exemplo para todos, pais e filhos:
“Ouve, meu filho, as palavras que te vou dizer, e faze que elas sejam em teu coração um sólido fundamento. Quando Deus tiver recebido a minha alma, darás sepultura ai meu corpo. Honrarás tua mãe todos os dias da tua vida, porque te deves lembrar de quantos perigos ela passou por tua causa (Quando te trazia em seu seio). Quando ela, par sua vez, tiver cessado de viver, tu a enterrarás junto de mim.”
“Quanto a ti, conversa sempre em teu coração o pensamento de Deus; guarda-te de consentir jamais no pecado e de negligenciar os preceitos do Senhor, nosso Deus. Pratica a justiça em todos os dias da tua vida, e nunca andes pelos caminhos da iniquidade. Porque os homens retos triunfam em todos os seus trabalhos, assim como as pessoas honestas.”
“Dá esmolas dos teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti. Sê misericordioso segundo as tuas posses. Se tiveres muito dá abundantemente; se tiveres pouco, dá desse pouco de bom coração. Assim acumularás uma boa recompensa para o dia da necessidade: porque a esmola livra do o pecado e da morte, e preserva a alma de cair nas trevas. A esmola será para todos os que a praticam um motivo de grande confiança diante do Deus Altíssimo.”
“Guarda-te meu filho de toda a fornicação: fora de tua mulher não autorizes jamais um comércio criminoso. Sobretudo, escolhe para ti uma mulher de tua tribo; não tomes uma mulher estranha à tua raça, porque somos filhos dos profetas (…).”
“Nunca permita que o orgulho domine o teu espírito ou tuas palavras, porque ele é a origem de todo o mal.”
“A todo o que fizer para ti um trabalho, paga o seu salário na mesma hora: que a paga do teu operário não fique um instante em teu poder.”
“Não bebas jamais vinho até a embriaguez e que esta nunca seja tua companheira de caminho. Reparte o teu pão com os famintos e cobre com as tuas próprias vestes os que estiverem nus. Dá esmola do que te sobra, e o que assim deres, não o lamentes.”
“Guarda-te de jamais fazer a outrem, o que não quererias que te fosse feito. Come o teu pão em companhia dos pobres e dos indigentes; cobre com as tuas próprias vestes os que estiverem desprovidos delas.”
“Busca sempre conselhos junto ao sábio. Bendize a Deus em todo o tempo, e pede-lhe que dirija os teus passos, de modo que os teus planos estejam sempre de acordo com a sua vontade. Porque não há homem que seja perspicaz: É só Deus quem lhe dá uma boa decisão. E o Senhor exalta a quem ele quer, humilha também até aos infernos a – quem ele quer. Logo, meu filho, lembra-te desses conselhos: que eles não se apaguem do teu coração.”
“Procura viver sem cuidados, meu filho. Levemos, é certo, uma vida pobre, mas se tememos a Deus, se evitamos todo o pecado e vivemos honestamente, grande será a nossa riqueza.” (Tobias 4,1-23)
Talvez essas sejam as palavras mais sábias que um pai pode dizer a seu filho, e que o enche de belos ensinamentos segundo a vontade de Deus, pois estão de acordo com os seus Mandamentos.
Começa recomendando ao filho que, após a sua morte: “honrarás tua mãe todos os dias de tua vida”. Deus deu este mandamento a Moisés:
“Honra teu pai e tua mãe, como te mandou o Senhor, para que se prolonguem teus dias, e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus.”
A maneira melhor de educar os nossos filhos será ensiná-los a obedecer os mandamentos da Lei de Deus. Ele que nos criou, é quem sabe como devemos viver para ser felizes.
Quando aquele jovem perguntou a Jesus o que devia fazer para ganhar a vida eterna, ouviu esta resposta:
“Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes, honra pai e mãe (…).” (Mc 10,19).
Ao dar os Mandamentos a Moisés Deus lhe disse:
“(…) uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Dt 5,10).
“Ah, se tivessem sempre esse mesmo coração, para me temer e guardar os meus mandamentos! Seriam então felizes para sempre, eles e seus filhos.” (Dt 5,29).
É impressionante notar com que insistência Deus exige do seu povo eleito a observância dos seus mandamentos, e manda que os pais os ensinem aos filhos:
“Quando teu filho te perguntar mais tarde: Que são esses manda- mentos, estas leis e estes preceitos que o Senhor, nosso Deus, vos prescreveu? Tu lhe responderás: (…). O Senhor ordenou-nos que observássemos todas essas leis e temêssemos o Senhor, nosso Deus, para sermos sempre felizes e para que nos conservasse a vida (…).” (Dt 6,20s).
“Os mandamentos que hoje te dou serão gravados no teu coração. Tu os inculcarás em teus filhos, e deles falarás seja sentado em tua casa, seja andando pelo caminho, ao te deitares e ao te levantares. Atá-lo-ás à tua mão como sinal, e os levarás como uma faixa frontal diante dos teus olhos. Tu os escreverás nos umbrais e nas portas da tua casa.” (Dt 6,6-9).
É na vivência dos mandamentos que provamos a Deus o nosso amor por Ele, de verdade, não apenas por palavras. Jesus disse aos Apóstolos na última Ceia:
“Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14,15).
Sabemos que Jesus não revogou os mandamentos de Deus, mas “levou-os à perfeição” (Mt 5,17). Ele é o legislador divino que no Sermão da Montanha nos dá a lei perfeita. Os capítulos 5,6 e 7, do Evangelho de São Mateus, contêm a “lei perfeita”, que os teólogos chamam de Carta Magna do Reino de Deus, ou sua Constituição. Esses três capítulos contêm certamente tudo que um pai deve ensinar a seus filhos.
Leia também: “Honrar Pai e Mãe”
Quando o Catecismo da Igreja fala dos Dez Mandamentos, diz que são as “Dez Palavras” (Decálogo) que Deus revelou a seu povo no monte sagrado (Ex 34,28; Dt 4,13; 10,4), escritas “com seu dedo” (Ex 31,18; Dt 5,22). São palavras de Deus de modo eminente, mais do que os outros preceitos escritos por Moisés (CIC, §2056).
As “Dez palavras” indicam as condições de uma vida liberta da escravidão do pecado e se constituem em um caminho de vida:
“Se amares teu Deus, se andares em seus caminhos, se observares os seus mandamentos, suas leis e seus costumes, viverás e multiplicarás.” (Dt 30,16).
Os dez Mandamentos resumem a lei de Deus, e toda a Moral católica que os nossos filhos devem aprender:
“Tais foram as palavras que, em alta voz, o Senhor dirigiu a toda a assembleia no monte do meio do fogo, em meio a trevas, nuvens e escuridão. Sem nada acrescentar, escreveu-as sobre duas tábuas de pedras e as entregou a mim [Moisés].” (Dt 5,22).
Essas “duas pedras” são chamadas “O Testemunho” (Ex 25,16), pois contêm as cláusulas da Aliança entre Deus e o seu povo (Ex 31,18; 32,15; 34,19) e por isso foram colocadas “na Arca” (Ex 25,16;40,1-2).
O Catecismo afirma que:
“As ‘dez palavras’ (…) pertencem à revelação que Deus faz de si mesmo e da sua glória. O dom dos mandamentos é dom do próprio Deus e de sua santa vontade.” (CIC, §2059).
Daí a importância enorme dos Mandamentos na vida da Igreja, e que ela recomenda aos pais que transmitam aos filhos. Se a sociedade vivesse-os, não precisaríamos de tantos códigos de direito, milhares de leis, exércitos, polícias, etc. Tudo isto existe porque os homens não querem viver “dez palavras” de Deus.
Os Mandamentos indicam o agir moral do homem segundo a vontade de Deus. Vivê-los é a resposta de amor que o homem dá a Deus, demonstração de sua submissão à Ele como filho fiel, culto de ação de graças e cooperação com o Seu plano para a humanidade.
Santo Ireneu (+202) assim se expressou, ao se referir aos Mandamentos:
“Pelo Decálogo, Deus preparou o homem para se tomar seu amigo e ter um só coração para com o próximo (…). Da mesma maneira, as palavras do Decálogo continuam válidas entre nós [cristãos]. Longe de serem abolidas, elas foram levadas à plenitude do próprio significado e desenvolvimento, pelo fato da vinda do Senhor na carne.” (Contra as heresias 4,16; 3-4).
O Concílio de Trento (1545-1563) ensinou que os dez mandamentos obrigam os cristãos, e que o homem justificado está obrigado a observá-los. E o Concílio Vaticano II ensina que é “pela fé, pelo Batismo e pelo cumprimento dos mandamentos” que alcançamos a salvação (LG,24).
O Catecismo ensina que “o Decálogo forma um todo inseparável (…) que unifica a vida teologal e a vida social do homem” (CIC, §2069). “Iluminam os deveres essenciais” (CIC, §2070).
“Visto que exprimem os deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo, os dez mandamentos revelam, em seu conteúdo primordial, obrigações graves. São essencialmente imutáveis, e sua obrigação vale sempre e em toda parte. Ninguém pode dispensar-se deles. Os dez mandamentos estão gravados por Deus no coração do ser humano.” (CIC, §2071).
Por tudo o que foi dito, vemos a importância de viver e de ensinar os mandamentos aos filhos. E a Igreja nos diz que:
“O que Deus manda, torna-o possível pela sua graça” (CIC, §2082). “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). É pela força do Senhor que vivemos os seus mandamentos.
É por faltar a muitos a graça de Deus, que o mundo acha difícil e pesado viver suas leis. Na verdade estão enganados. Ao terminar de dar os seus mandamentos a seu povo, ele disse:
“O mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças, nem fora de teu alcance (…) esta palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração: e tu a podes cumprir.” (Dt 30,11-14).familiasantuariodavida
“Tom ai sobre vós o meu jugo e recebei minha doutrina (…). Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.” (Mt 11,28-29).
Quando o Catecismo da Igreja fala da educação dos filhos, destaca algo interessante:
“Os filhos, por sua vez, contribuem para o crescimento de seus pais em santidade (GS 48,§ 4).” (CIC, §2227).
Educando os filhos, os pais educam a si mesmos e crescem em santidade; que é o objetivo último de todos na família. Assim, a família se apresenta aos nossos olhos como uma escola de santificação para pais e filhos.
“Todos e cada um se darão generosamente e sem se cansarem o perdão mútuo exigido pelas ofensas, as rixas, as injustiças e os abandonos. Sugere-o a mútua afeição. Exige-o a caridade de Cristo.” (CIC, §2227).
A Igreja tem no catálogo dos seus santos, muitos que foram pais e mães, e que nos deixaram belos ensinamentos sobre a família. Entre eles encontramos São Luiz, rei da França, que nasceu em 1214 e subiu ao trono da França aos 22 anos de idade.
Teve onze filhos a quem deu excelente educação. Distinguiu-se pelo seu espírito de penitência (mesmo sendo rei), de oração e de amor aos pobres. Realizou duas Cruzadas para libertar o sepulcro de Cristo, e morreu perto de Cartago em 1270. Deixou este belo testamento espiritual ao seu filho herdeiro do trono. (Acta Sanctorum Augusti 5 [1868 ],546).
TESTAMENTO DE SÃO LUIZ, REI DA FRANÇA, A SEU FILHO
Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todas as tuas forças; pois sem isto não há salvação.
Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal.
Ademais, se o Senhor permitir que te advenha alguma tribulação, deves suportá-la com serenidade e ação de graças. Considera suceder tal coisa em teu proveito e que talvez a tenhas merecido. Além disto, se o Senhor te conceder a prosperidade, tens de agradecer-lhe humildemente, tomando cuidado para que nesta circunstância não te tornes pior, por vanglória ou outro modo qualquer, porque não deves ir contra Deus ou ofendê-lo valendo-te dos seus dons.
Ouve com boa disposição e piedade o oficio da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuides de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade; mas roga ao Senhor devotamente, quer pelos lábios, quer pela meditação do coração.
Guarda o coração compassivo para com os pobres, infelizes e aflitos, e quando puderes, auxilia-os e consola-os. Por todos os benefícios que te foram dados por Deus, rende-lhe graças para te tornares digno de receber maiores. Em relação a teus súditos, sê justo até o extremo da justiça, sem te desviares nem para a direita nem para a esquerda; põe-te sempre de preferência da parte do pobre mais do que do rico, até estares bem certo da verdade. Procura com empenho que todos os teus súditos sejam protegidos pela justiça e pela paz, principalmente as pessoas eclesiásticas e religiosas.
Sê dedicado e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, ao Sumo Pontífice como pai espiritual. Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia.
Ó filho muito amado, dou-te enfim toda a bênção que um pai pode dar ao filho; e toda a Trindade e todos os santos te guardem do mal. Que o Senhor te conceda a graça de fazer sua vontade de forma a ser servido e honrado por ti. E assim, depois desta vida, iremos juntos vê-lo, amá-lo e louvá-lo sem fim. Amém.

Rainha do Céu, Senhora do Mundo

coroaçãoAbaixo de Deus todo poder foi dado à Virgem Maria; no céu, na terra e nos infernos. Elevada ao céu de corpo e alma, Nossa Senhora ali recebeu sua justa e merecida glorificação. Foi coroada pela Santíssima Trindade como Rainha do céu e da terra, dos anjos e dos santos, dos homens e de toda a criação de Deus.
A coroação de Nossa Senhora no céu não é um ato apenas simbólico ou mero cerimonial. Não. É um acontecimento de grande profundidade, por meio do qual Deus fez de Maria a Rainha de todas Suas criaturas. Ela é elevada à glória de Rainha do Universo.amulherdoapocalipse
Quando São João viu surgir no céu “um grande sinal (Ap 12,1) lhe era revelado por Deus toda a glorificação que os próprios elementos prestavam a Maria. Ela apareceu “revestida” de sol; isto é, o sol servir-lhe de vestimenta gloriosa, a lua veio pôr-se sob seus p[es, como um rico pedestal, e as estrelas se ajuntaram em torno de sua cabeça, formando uma coroa, com o numeral 12, que significa o símbolo da plenitude e da perfeição. Os astros do universo glorificam sua Rainha!
Maria é Rainha desde o momento em que foi escolhida e aceitou ser a Mãe do Rei do Universo. Filho e Mãe participam da mesma monarquia. A Mãe do Rei é rainha, dizem os santos.salverainha
Diz São Bernardino de Sena:
“Desde o momento em que Maria aceitou ser Mãe do Verbo Eterno, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas. Quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas também devem servir a Maria. Por conseguinte estão sujeitas ao domínio de Maria os anjos, os homens e todas as coisas do céu e da terra, porque tudo está sujeito ao império de Deus” (Glória de Maria).
É por isso que Santo Agostinho ensinava que “a Mãe de Deus tem mais poder junto da Majestade divina que as preces e intercessões de todos os anjos e santos do céu e da terra”.tratadomenor
São Luís de Montfort, baseado em São Boaventura, garante:
“No céu, Maria dá ordem aos anjos e aos bem-aventurados. Para compensar sua profunda humildade, Deus lhe deu o poder e a missão de povoar de santos os tronos vazios, que os anjos apóstatas abandonaram e perderam por orgulho. É a vontade do Altíssimo, que exalta os humildes (Lc 1,52), e que o céu, a terra e o inferno se curvem, de bom ou mal grado, às ordens da humilde Maria, pois Ele a fez soberana do céu e da terra, general de Seus exércitos, tesoureira de Suas riquezas dispensadora de Suas graças, artífice de Suas grandes maravilhas, reparado do gênero, mediadora para os homens, exterminadora dos inimigos de Deus e a fiel companheira de suas grandezas e de seus triunfos” (Tratado, nº28).
É por isso que a Ladainha Lauretana nos leva a rezar: Rainha dos anjos, rogai por nós. Rainha dos patriarcas, rogai por nós. Rainha dos profetas, rogai por nós. Ranha dos apóstolos, rogai por oficioimaculadanós. Rainha dos mártires, rogai por nós. Rainha dos confessores, rogai por nós. Rainha das virgens, rogai por nós. Rainha de todos os Santos, rogai por nós. Rainha concebida sem pecado original, rogai por nós. Rainha da Assunção, rogai por nós. Rainha do Santo Rosário, rogai por nós. Rainha da paz, rogai por nós.
Prof. Felipe Aquino
Trecho retirado do livro: Para Entender o Ofício da Imaculada, Ed. Cléofas

Pode Jesus ter desprezado a sua Mãe?

Coração de Jesus e de MariaCausa estranheza a maneira quase ríspida a que Jesus referiu-se à sua mãe, na passagem narrada no Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículos 46-50. Seria possível Ele ter desprezado a sua própria mãe?
Enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém lhe disse: «olha! Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo». Ele respondeu àquele que lhe falou: ‘Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?’ E, estendo a mão para os discípulos. acrescentou: ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
Este evento foi narrado também no Evangelho de São Marcos, no capítulo 3, versículos 31 a 35:salverainha
Nisso chegaram a mãe os irmãos de Jesus. Ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Ao seu redor estava sentada muita gente. Disseram-lhe: «Tua mãe e teus irmãos e irmãs estão lá fora e te procuram». Ele respondeu: «Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?» E passando o olhar sobre os que estavam sentados ao seu redor, disse: «Eis minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe».
E, finalmente, no Evangelho de São Lucas, capítulo 8, versículos 19 a 21:
Sua mãe e seus irmãos vieram ter com ele, mas não podiam se aproximar, por causa da multidão. Alguém lhe comunicou: «Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem te ver». Ele respondeu: «Minha mãe e meus irmãos são estes: os que ouvem a Palavra de Deus e a põe em prática».
Ora, se a primeira comunidade cristã fez questão de narrar este fato em três dos quatro Evangelhos é porque realmente se trata de um acontecimento histórico. Mas, então, o que quis dizer Nosso Senhor Jesus Cristo?
Não parece possível que Ele tenha realmente desprezado ou feito pouco caso de sua mãe. Basta recordar a passagem referente ao jovem rico, quando Ele diz que, para entrar no Reino do Céu é preciso honrar pai e mãe:
Alguém aproximou-se de Jesus e disse: «Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?» Ele respondeu: «Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos». – «Quais», perguntou ele. Jesus respondeu: «Não cometerás homicídio, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra pai e mãe, ama teu próximo como a ti mesmo».11 11 Mt 19,16-19
Mais plausível seria pensar que Jesus deseja mostrar, nessa passagem, que a salvação não estaria mais ligada ao sangue do povo judeu e ensinando, sim, que o novo povo de Deus será baseado em uma nova realidade: na fé e na obediência à vontade de Deus.
No Antigo Testamento, para uma pessoa ser inseri da no ‘povo de Deus’ bastava o nascimento, não era preciso fazer nada, poder-se-ia dizer que as pessoas eram salvas pela genética. É evidente que, por causa disso, os judeus desprezavam aqueles que não faziam parte da ‘raça eleita’, os goym, os gentios. Jesus, então, quer quebrar o paradigma dos laços sanguíneos. Alguns versículos antes do episódio com sua mãe, Ele havia sinalizado esse novo modo de ser povo de Deus quando disse:
Então, alguns escribas e fariseus disseram a Jesus: ‘Mestre, queremos ver um sinal da tua parte.’ Ele respondeu-lhe: ‘Uma geração perversa e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. De fato, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no ventre da terra. No dia do Juízo, os habitantes de Nínive se levantarão juntamente com esta geração e a condenação, pois eles mostraram arrependimento com a pregação de Jonas. No dia do Juízo, a rainha do Sul se levantará juntamente com esta geração e a condenará; pois ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é mais do que Salomão.12 12 Mt 12,38-42
Ora, a ‘geração perversa e adúltera’ a que Jesus referiu-se são os judeus, a raça eleita. Jonas não queria pregar em Nínive, como é sabido, porque lá eram todos gentios, no entanto, ele prega e os ninivitas se convertem. Da mesma forma, a rainha do Sul, de Sabá, é uma mulher negra, etíope, portanto, não pertencia ao povo de Israel, mas ela ouve a mensagem de Salomão.
Logo, o que Jesus está fazendo é escandalizar os judeus que estavam ao seu redor, dizendo que o que passa a valer é a conversão, ou seja, fazer a vontade de Deus, obedecer os mandamentos e não mais os laços sanguíneos. A «nova» família de Jesus é formada por aqueles que fazem a vontade de Deus que está no céu. O novo povo de Deus está baseado, portanto, na fé.
Nesse viés, Maria Santíssima passa a ser honrada não tanto por ter dado a carne ao Salvador, mas por tê-lo concebido na obediência:cpa_resposta_cat_lica
Faça-se em mim segundo a Tua vontade.13 13 Lc 1,38
É por isso que justamente esta passagem controversa dos Evangelhos é usada pela Igreja para as missas em honra à Nossa Senhora. No missal de Pio V, utilizado até o ano de 1969, nas missas votivas de Nossa Senhora, o Evangelho proclamado era sempre e se. Portanto, Jesus não desprezou sua mãe com essas palavras. A mãe de Jesus é aquela que faz a vontade do Pai.
A graça maior de Maria Santíssima foi ter crido e feito a vontade de Deus em sua vida.
Fonte: A RESPOSTA CATÓLICA – Padre Paulo Ricardo

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Santa Clara de Assis: “Um clarão luminoso que brilhou na Idade Média"

 

santaclara“Clara de nome, mais clara de vida e claríssima de virtudes!”
Sem dúvida ela é uma das santas mais amadas; nasceu em 1193 e morreu em 1253, contemporânea de São Francisco. Sua vida mostra-nos o quanto a Igreja deve a mulheres corajosas e ricas na fé como ela, que fizeram a renovação da Igreja numa época difícil, onde a heresia cátara imperava. Havia luxo e pecado na vida de muitos filhos da Igreja; Francisco e Clara apresentaram o antídoto a essa triste moléstia espiritual.
Tomás de Celano apresenta uma biografia segura da Santa, bem como os autos do processo de canonização promovido Papa Alexandre IV (1254-1261), apenas dois anos após a morte de Santa Clara.
Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver pobre e humilde, adotando a forma de vida de Francisco de Assis. Seus pais queriam que ela se casasse com algum jovem da nobreza, mas Clara, aos 18 anos, com um gesto audaz, decide seguir a Cristo, e pela admiração por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma amiga sua, Bona di Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores junto da pequena igreja da Porciúncula, na tarde do Domingo de Ramos de 1211: enquanto seus companheiros tinham nas mãos tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o hábito penitencial. A partir daquele momento, tornava-se “virgem esposa de Cristo”, humilde e pobre, e a Ele totalmente se consagrava. Milhares de mulheres ao longo da história seguiram o exemplo de Clara: Esposa bela e pura de Cristo.
Santa Clara mostra sua espiritualidade na Carta que enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Bohemia, que queria seguir seus passos; ela fala de Cristo, seu amado esposo, com expressões nupciais comoventes:
“Amando-o, és casta, tocando-o, serás mais pura, deixando-se possuir por ele, és virgem. Seu poder é mais forte, sua generosidade, mais elevada, seu aspecto, mais belo, o amor mais suave e toda graça. Agora tu estás acolhida em seu abraço, que ornou teu peito com pedras preciosas… e te coroou com uma coroa de ouro gravada com o selo da santidade” (Lettera prima: FF, 2862).
E convida sua amiga de Praga a se olhar no “espelho da perfeição de toda virtude”, que é o próprio Senhor. Escreve: “Feliz certamente aquela a quem se lhe concede gozar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], àquele cuja beleza admiram incessantemente todas as beatas multidões dos céus, cujo afeto apaixona, cuja contemplação restaura, cuja benignidade sacia, cuja suavidade preenche, cuja recordação resplandece suavemente, a cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa fará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olhe cada dia para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e perscruta nele continuamente teu rosto, para que possas te adornar assim toda por dentro e por fora… neste espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade” (Quarta carta: FF, 2901-2903).
Leia também: Oração de Santa Clara: Minha alma, Vossa Morada
O Papa Alexandre IV, na Canonização da Santa em 1255, apenas dois anos após sua morte, disse: “Quão vívida é a força desta luz e quão forte é a claridade desta fonte luminosa. Na verdade, esta luz estava fechada no esconderijo da vida de clausura, e fora irradiava esplendores luminosos; recolhia-se em um pequeno monastério, e fora se expandia por todo vasto mundo. Guardava-se dentro e se difundia fora. Clara, de fato, se escondia; mas sua vida se revelava a todos. Clara calava, mas sua fama gritava” (FF, 3284).
Santa Clara compôs uma Bênção para as Clarissas: “Bendigo-vos em minha vida e depois de minha morte, como posso e mais de quanto posso, com todas as bênçãos com as que o Pai de misericórdias abençoa e abençoará no céu e na terra seus filhos e filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoa e abençoará seus filhos e filhas espirituais. Amém” (FF, 2856).
Esta santa viveu 40 anos em um pequeno mosteiro ao lado da igrejinha de São Damião, na pobreza, e sob a Providência divina, sem nada possuir. Foi a primeira mulher a escrever uma Regra às consagradas. Recebeu do Papa Inocêncio III o chamado Privilegium Paupertatis (Privilégio da pobreza; cf. FF, 3279), que garantia a Clara e suas companheiras de São Damião não possuir nenhuma propriedade material. Ela viveu virtudes heroicas: a humildade, piedade, penitência e caridade. Bento XVI disse “Clara de Assis foi um verdadeiro clarão luminoso que brilhou na Idade Média”.
Seu amor a Eucaristia era exponencial. Só com a exposição do Santíssimo Sacramento, afastou os soldados mercenários sarracenos (muçulmanos), que estavam a ponto de agredir o convento de São Damião e de devastar a cidade de Assis. Foi um facho de luz a iluminar a Igreja.
Prof. Felipe Aquino

A fé que remove montanhas

image003Um menino viajava sozinho em um trem de carga. Quando o trem chegou a uma estação, o chefe desta perguntou-lhe intrigado:
– Menino, o que você faz neste trem? Você sabe para onde este trem vai?
O garoto, muito tranquilo, lhe respondeu:
– Não se preocupe, senhor, estou apenas andando de trem. Gosto muito de andar de trem.
O chefe da estação, mais intrigado ainda, ordenou-lhe que saísse do trem e disse que providenciaria para que ele voltasse para casa. Nisso o garoto lhe respondeu, sorrindo:
– Não se preocupe, senhor, meu pai é o maquinista deste trem… Para onde o trem for, ele vai junto comigo…embuscadaperfeio
Essa história pode ser aplicada à nossa vida religiosa e à nossa fé em Deus. Vivemos dizendo ao Senhor, em nossas orações, que nós confiamos n’Ele, mas tantas vezes não agimos assim nas horas mais difíceis. Não aprendemos ainda a abandonar nossa vida nas mãos de Deus e a deixar que Ele a conduza conforme Sua vontade. Creio ser essa uma das mais profundas experiências religiosas que devemos viver. Como aquele garoto do trem precisamos viajar tranquilos no trem desta vida, certos de que o “maquinista” dela é o nosso Pai. Ele nos criou por amor e nos guia no Seu amor. Precisamos confiar nisso para ver a mão de Deus na nossa vida e sentir que a Sua face nos acompanha.
Há três versículos na Bíblia que repetem a mesma palavra de Deus: “O justo viverá pela fé” (Hb 2,4; Gl 3,11; Hb 10,38). E há um outro onde São Paulo nos ensinou que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6a). De fato, sem uma confiança profunda em Deus pela fé, é impossível fazermos a Sua vontade, pois essa se realiza em nossa vida na medida em que, pela fé, aceitamos os acontecimentos cotidianos.
Toda a Bíblia é um livro de fé que narra a aventura de muitos homens e mulheres que, agindo na fé, fizeram a vontade de Deus, vencendo obstáculos intransponíveis. Quando agimos na fé sentimos com clareza o que o anjo disse a Maria: “A Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37).
Jesus repreendia severamente os Seus discípulos quando eles fraquejavam na fé, e chamava-os de “homens fracos na fé”. Depois da tempestade acalmada, disse-lhes: “Por que este medo gente de pouca fé?” (Mt 8,26a). A Pedro, que afundara nas águas do mar de Tiberíades, Ele disse “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31b).
Leia também: Confiança obstinada
Deus não pode agir em nossa vida quando não demonstramos confiança Nele e no Seu amor. O poder de Deus é liberado quando nos lançamos em Seus braços com toda a fé. O livro dos Salmos está repleto dessa profunda manifestação de fé em Deus. O rei Davi, que vivia pela fé, cantava:
“O Senhor é meu pastor, nada me faltará
Ainda que eu atravesse o vale escuro,
Nada temerei, pois estais comigo” (Sl 22,1.4a).
“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?
O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei Medo?” (Sl 26,1)
Essa jubilosa esperança em Deus, que faz brotar dos lábios do homem de fé palavras de confiança no Criador, é a sua força e alegria, mesmo nos momentos mais difíceis da vida. Nós também precisamos fazer crescer nossa fé, repetindo e vivendo essa esperança em Deus todos os dias, até que nossa vida e nosso futuro estejam completamente em Suas mãos. Essa fé é o único remédio disponível para o homem cansado e estressado de nossos dias. Enquanto as âncoras não estiverem presas no absoluto de Deus, não estaremos firmes. Só Deus, no Seu poder, é capaz de nos dar a segurança que está além de tudo  e de todos. Então poderemos cantar como o salmista:
“Só em Deus repousa minha alma,
Só dele me vem a salvação.
Só ele é meu rochedo e minha salvação;comofazeravontadededeus
Minha fortaleza: jamais vacilarei.
Ó povo, confia nele uma vez por todas” (Sl 61,2-3.9).
Assim poderemos viver felizes nesta vida, e tranquilos, como aquele menino que seguia no trem cujo maquinista era seu pai.
Prof. Felipe Aquino
(Retirado do livro: “Em Busca da Perfeição”)