Em que consistia a intimidade conjugal de Maria e José? É e não é difícil dizê-lo. Comecemos pelo “não é”. Certamente, como em muitos matrimônios, Maria e José nutriam entre si um amor esponsal imenso, expresso assim na caridade como em permutas afetivas honestas, para empregar as palavras dos especialistas em teologia moral. Por outro lado, é difícil delinear o pano de fundo dessas santíssimas interações entre a mãe e o pai adotivo de Jesus, porquanto não dispomos de elementos, quer escriturísticos quer oriundos da sagrada tradição.
Numa sociedade que supervaloriza o sexo, soa um tanto quanto incongruente propor os sagrados cônjuges como modelo de casal. Afinal de contas, há quem diga, inclusive em “curso de noivos”, que o sexo é 70% responsável pelo sucesso do casamento. No entanto, com arrimo na fé, a sagrada família é um paradigma lucipotente e insuperável dos comportamentos maduros e amorosos a serem concretizados entre esposos e filhos. Conclui-se, portanto, que o mais importante no casamento é o amor, e não o sexo. A fé dos cônjuges, também, é relevante. Papa Bento XVI, aproveitando o Ano da Fé (2012 a 2013), sublinhou a relevância decisiva da virtude teologal da fé por parte dos casados: “(…) Cerrar-se a Deus ou rechaçar a dimensão sagrada da união conjugal e do seu valor na ordem da graça tornam árdua a vivência concreta do altíssimo modelo de matrimônio concebido pela Igreja, segundo o plano de Deus (…)” (Discurso aos auditores da Rota Romana, 26/1/2013).
Não resta dúvida de que o rosário ou terço, uma oração cristológica caríssima a nossa Senhora, é um meio exímio de os casais contemporâneos implementarem no seu casamento específico a essência do que constituiu o matrimônio terrestre entre Maria e José.
Edson Luiz Sampel
Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano.
Membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp)
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