
O maior risco que corremos no trabalho do reino de Deus, é o de nos esquecermos dessa Palavra de Jesus, tentando realizar as obras da fé apenas com os nossos pobres recursos humanos. Nota-se hoje, infelizmente até em pessoas da Igreja, um certo humanismo exagerado, que chega até a dispensar a graça de Deus, como se essa não fosse imprescindível no sucesso das obras espirituais.
Ninguém melhor do que São Paulo experimentou e exprimiu a importância da humildade para que Deus possa agir através de nós. Falando aos coríntios sobre as visões e revelações do Senhor, dizia que não tinha do que se gloriar. E, para ficar livre do perigo da vaidade, dizia: “Foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear” (II Cor 12,7). E depois de ter pedido três vezes ao Senhor que o livrasse disso, ouviu Sua resposta: “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força” (II Cor 12,9a). Quero destacar esse “totalmente”. E São Paulo afirmava: “Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo” (II Cor 12,9b). E arrematava: “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (II Cor 12,10b).
Ser fraco é estar muito consciente da própria pequenez e impotência. Mas, quando colocamos nas mãos do Senhor a nossa pobreza, aí então Ele começa a realizar em nós maravilhas… Maria é o melhor exemplo dessa verdade. Ela mesma disse: “(Ele) olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas” (Lc

Deus quer que dependamos d’Ele em tudo, a cada dia, a cada obra. “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5c). Por isso, a melhor garantia para não cairmos no desânimo ou na frustração que, infelizmente, já se abateram sobre muitos que quiseram viver por própria conta, o melhor caminho e obedecermos ao Senhor em Sua Palavra: “Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto” (Jo 15,5b). Aí então, livres da autossuficiência mesquinha e orgulhosa, poderemos dizer: I”Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13) ou, ainda: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20a).
Que a Virgem bendita, nossa Mãe, interceda junto de Deus por nós, para que possamos ser como ela, “a pobre serva do Senhor”, e para que também em nós o Todo-Poderoso possa realizar maravilhas. Que ela nos ajude a crer definitivamente no seu Filho, que nos advertiu: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5c).
Prof. Felipe Aquino
(Retirado do livro: “Em Busca da Perfeição”)
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